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Chegada em Capri - (Parte 2)

Chegamos em Capri preocupados com o horário. Já era tarde , em torno das 22:00 da noite e nas letrinhas miúdas da reserva do hotel estava escrito "check in até as 23:00", e  começava a esboçar muita ansiedade dentro de mim.

O Paulo, bem mais rápido e prático que eu foi na frente. Como ele consegue ser assim? Me faço sempre essa pergunta, num pensamento apaixonada admirando sua agilidade sempre.

Saí do Ferry com uma mão grudada no João e uma mala pequena na outra; dividíamos lugar com os carros e a luz dos faróis em cima da gente me deixava agoniada enquanto caminhávamos. O espaço para os pedestres andarem era completamente apertado no Porto de Capri,e tínhamos apenas a opção de escolher ser exprimidos contra a parede de tijolos  ou se arriscar a andar no pequeno vão de terra de não mais do que 50 centímetros que sobrava do lado direito do oceano. Nesse instante,desejava apenas chegar logo ao encontro do marido que avistava-o de longe esperando com a porta aberta o taxi bonitinho da Riviera de Capri, branco, conversível e com a capota de lona azul.

Próximo ao taxi o motorista vestido com uma fina camisa de linho branco bordada, aberta até os 2 primeiros botões, usava uma bermuda de praia super confortável e se despedia dos amigos taxistas que iam a caça dos clientes que ultrapassavam os meus passos.
Pensei: Uauuu, deve ser legal trabalhar assim todos os dias!

Mas aí começou a minha mais recente decepção com os taxistas da Europa.

Percebia que a partir dalí começava a colecionar histórias com taxistas corruptos.

O bendito já havia fechado o valor com o Paulo e quando notou que tinha mais eu e o João (porque o marido sim, disse 5 pessoas, e foi ele que não se atentou pois estava conversando), começou a fazer teatro, querendo ganhar mais um dinheirinho, fiquei enfurecida, olhei pros lados na tentativa de encontrar mais alguém e infelizmente os taxis disponíveis acabaram de sair com os últimos passageiros. O jeito foi pagar mais $10,00 dólares e ir se contorcendo de raiva dentro do taxi ao mesmo tempo que ia admirando a paisagem. Italiano será que entendi o que brasileiro fala? Acho que sim.

Subir até Ana Capri agora. Era esse o nosso objetivo.

Durante a subida comecei a entender porque Capri não podia circular carros como o que deixei no Porto de Nápoles.

Capri não tem ruas, tem calçadas largas asfaltadas exprimidas, onde só passam um carro por vez e conforme o taxista subia o coração disparava de medo entre a escuridão da noite e o abismo do oceano. De repente um ônibus descia,-Impossível! Como ele conseguiria manobrar alí? E em frações de segundos o taxista fechava o retrovisor e justinho seguia em frente. Será que os motoristas apertam algum botão para os carros diminuirem de tamanho?

Os taxis conversíveis e micro ônibus eram o meio de transporte que mais vi durante meus 2 dias que vivi em Capri. E não, eu não queria dirigir alí, apesar de ser mais corajosa que o marido que morre de medo de altura! Neste instante me lembrei do funcionário do Porto de Nápoles que foi super simpático , dizendo, olha moça, acho que carros grandes igual ao seu é meio complicadinho de andar por lá!

Só rindo mesmo quando me lembro da situação,pois eu queria ir com o meu carro de verdade!

Chegamos ao centro de Ana Capri. O filha da mãe , pra fazer pirraça ao invés de deixar-nos dentro do hotel subiu mais um pouquinho da entrada, dizendo que o Hotel não podia entrar carros, mentiroso,e 300 metros acima ,nos deixava no Centro de Ana Capri com as malas, nos mandando ir em direção contrária do endereço. E demoramos uns 10 minutos tentando encontrar o hotel naquela deliciosa escuridão...


Mas nada como ser recompensada com uma vista maravilhosa destas! Deixa o taxista pra lá!

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